segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

vamos falar de coisa boa, vamos falar de política.

mas isso é coisa muito séria, política não se discute como teimam em afirmar os mais esclarecidos no assunto. o motivo: não somos um pais com cultura e desprendimento suficientes. a razão é a democracia torta (nascida de uma monarquia torta) e de criação capenga.

bertold brecht definiu o analfabeto político como o "imbecil que de tão burro estufa o peito dizendo que odeia política". sempre tive comigo a ligeira impressão que bertold brecht, ao escrever o texto, usou de certa sagacidade sarcástica, irônica, cínica até, sobre o comportamento apolítico de alguns. e nunca concordei cem por cento com ele. exatamente porque esse modelo de imbecil não cabe aos imbecis que temos por aqui.

fui criado por uma família conservadora que sempre se baseou nos preceitos religiosos da lei que, portanto, ignora o laicismo como regra de estado e logo a democracia em questão. às vezes a ignorância é uma benção, e quando ela vem de deus, como guia prático não só da espiritualidade mas também como juiz onipresente da democracia, é muito mais bem-vindo. deus substitui a decisão da monarquia para com o que fazer com o povo. quem me dera ser ignorante assim e por vezes desejar um confinamento igual ao do bbb. globo, a gente se vê por aqui.

o analfabeto político, na minha opinião, nada mais é do que o sujeito que precisa ser guiado, que precisa que digam a ele o que fazer. mas política é coisa muito séria e você nunca sabe quem pode ofender quando fala sobre ela. talvez se encontre, como eu, nessas linhas auto ofensivas. bertold brecht mal sabia das coisas. e muito provavelmente não entendia de especulações imobiliárias ou tinha uma visão muito recalcada sobre políticas públicas ou adequação social. com certeza não deve ter conhecido nada a respeito de urbanismo... se bertold não foi sarcasticamente, ironicamente, cinicamente até, sagaz, eu estou sendo agora.

digo tudo isso por me convencer absolutamente de que perdi meus votos na última eleição. logo eu que sempre me julguei capaz de um bom julgamento político, muito mais em razão de acreditar na minha sensação de fazer tudo direito e cumprir com o dever do que de fato confiar numa proposta decente de candidato qualquer que fosse. a minha democracia perfeita não se aplica a essa política. minha dificuldade em reconhecer o que é de direita ou esquerda escancara o analfabetismo. eu nem ao menos sei se essas são as duas únicas opções. nunca entendi por que eu não poderia votar em um presidente filiado ao partido a e em um governador filiado ao partido b. descobri assim o partidarismo.

muito mais do que política, tais partidos políticos lançam mão de uma razão filosófica, não só no trato com a política, como também no trato com a lei. e a filosofia não combina com a política. sempre coloquei meu entendimento apartidário em primeiro lugar quanto a escolher uma ideia política que trouxesse vantagem. os entendidos do assunto então, tentam me convencer que a boa política é aquela em que você pensa primeiro nos outros e depois em você. que besteira sem tamanho. esse é um papo comunista e blá blá blá...

minha últimas escolhas políticas se revelaram trágicas em seus atuais mandatos. o desgosto tá tão grande que tô pensando em não votar nas próximas eleições, pensando até em pagar a multa por não justificar o não voto. mas ah!, como disse bertold, "esse é o analfabeto político, e de sua ignorância política" nasce a cracolândia, o moinho, o pinheirinho...


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